01- Olá! Somos agentes especiais da SHS!! (Sociedade Hiper Secreta), eu sou o Zero Um
01a- E eu sou a Zero Uma.
01- E estamos aqui em missão especial para transmitir-vos uma mensagem urgente sobre os...
Os dois - ANTIBIÓTICOS!!!
01a- Uma conquista da humanidade que estamos a desperdiçar.
01- Um perigo que espreita graças ao fortalecimento das bactérias provocado pelo mal uso dos antibióticos.
01a- Que é o que acontece quando, por exemplo, este indivíduo aqui não faz o que lhe diz o médico!
01- E não é só ele. Todos somos culpados. Mas para entender bem o perigo que corremos é preciso saber do que estamos a falar.
01a- Primeiro vamos ver a diferença de tamanho
01- Adiante TELETAMANHO! Aqui podemos ver uma foto da mão da Zero Uma, e realmente já podias cortar as unhas..., onde também distinguimos um pequeno cravo entre os dedos!
01a- Gostas mesmo de dar voltas às coisas, vai directo ao assunto.
01- Está bem, e se nos aproximarmos mais?
01a– Vê-se um pêlo, mas para além de ser uma porcaria, não há nada mais?
01- Talvez! Aproximemo-nos um pouco mais!
01a- Também se vêem ácaros do pó. Mas tu deves ver melhor que eu, não?
01- Vejo! E se nos aproximarmos ainda mais...
01a– Oh pólen, uuh!
01- E ainda há mais! Ao seu lado está um linfócito, os defensores do nosso corpo que comem os elementos estranhos ao organismo.
01a- E perto do linfócito podem ver-se os glóbulos vermelhos que distribuem o oxigénio pelo corpo e que estão no teu sangue.
01- E de baixo dele a levedura, sim, isso que leva o pão.
01a– Sim, mas à parte disso nada mais?
01- Talvez!
01a- Outra vez! Que chato!
01- Está bem, aproximemo-nos mais!
01a- Aí temos as bactérias Escherichia coli, a bactéria que faz com que o cócó tenha esse cheiro tão característico...
01- Ou seja, que faz com que o cócó cheire a cócó.
01a- Sim, isso.
01- E do outro lado os Estafilococos. Esta bactéria provoca as borbulhas na cara e também pode provocar doenças, como a pneumonia ou a meningite.
01a- Mas é tão pequeno que até parece mentira que possa ter algum perigo. Mas ainda há algo mais, não?
01- Sim, mas estes pequenos já não são bactérias, são vírus, e por isso não se podem matar com antibióticos.
01a- Vejamos ainda mais de perto.
01- Sim, aí está o vírus Ébola. Este vírus é mortal, ainda não existe cura. E perto, ainda mais pequerrucho…
01a- O rhinovirus! O vírus das constipações.
01- Sim, e este não mata ninguém. Repararam na diferencia de tamanho? Sim? E repararam que as bactérias são formadas por uma única célula? Podemos ver neste vídeo como as bactérias crescem para depois se multiplicarem.
PROJECÇÃO DA BACTÉRIA A CRESCER
01a- E de certeza que já sabem que os antibióticos curam, mas como? Reparem, um antibiótico é um veneno que só mata bactérias. Não mata os vírus e não mata as células do corpo humano, por isso são ideais para tratar doenças causadas por bactérias.
01- Por exemplo, a penicilina, que é um tipo de antibiótico, mata a bactéria no momento em que esta está a crescer. As bactérias pequenas são como câmaras-de-ar com muita pressão, como as rodas dos carros ou das bicicletas. Quando estão a crescer, a penicilina encolhe a borracha da roda e a pressão faz com que explodam.
PROJECÇÃO DO VÍDEO DA PENICILINA
01a- E são muito mais numerosas, de facto, nos cultivos que fazem no laboratório há mais bactérias num tubo de ensaio que pessoas no mundo
01- Pensem que de cada 10 células do nosso corpo, 9 delas são bactérias
01a- As bactérias da boca, que causam cáries, as bactérias dos intestinos...
01- E quando ficamos doentes é porque as bactérias se multiplicam e as defesas do nosso corpo não são capazes de dar conta delas sozinhas.
01a - E é nesse caso que entram os médicos e nos receitam antibióticos que temos que tomar durante uns dias e a horas determinadas.
01- Então, estarão as bactérias mais fortes? Não! Não estão mais fortes mas sim mais resistentes.
01a– E conseguem-no porque as bactérias que não morrem apanham as resistências directamente dos genes das suas companheiras mortas.
01- Mas para entender melhor isto, vamos explicar primeiro a...
OS DOIS – Transmissão Horizontal!
01a - É a forma que têm as bactérias de ficar com os genes das outras bactérias.
01- Em frente TELEBACTERSIMULADOR.
01a - Que nome mais esquisito.
01- Aqui vemos quatro bactérias e em cada uma podemos ver um elemento que as distingue das outras.
01a– Uma leva biqueiras de aço, outra leva botas, outra leva gorro e a última leva um cacetete.
01- Vejamos o que é que acontece quando não acabamos o periodo para tomar os antibióticos.
Disparam ruidosamente até que morrem três das quatro bactérias.
01a- Quando deixamos o tratamento receitado pelo médico a meio podemos deixar alguma bactéria viva.
01 – E vejam o que é que acontece... Agora temos uma superbactéria!
01a- Hei, Zero Um, importas-te se tento matá-la?
01- Por favor, Zero Uma.
Dispara ainda mais que antes.
01a- Parece que é quase impossível destruí-la, não é? Mas, como podemos evitar esta multirresistência bacteriana?
01- Tomando antibióticos só quando nos receita o médico, durante os dias que o médico manda porque temos que ter a certeza que acabamos com todas as bactérias.
01a- Claro, porque se ficam algumas vivas podem habituar-se ao antibiótico.
01- ERRO. As bactérias não se habituam. Não. É a selecção natural, sim, a selecção de que falava Darwin, que selecciona as que não morrem com o antibiótico.
01a– Eu não entendo, mas se o objectivo do antibiótico é matar todas as bactérias, como é possível que algumas não morram.
01- Por MUTAÇÃO. Em frente TELEBACTERIOSIMULADOR.
A animação Flash mostra uma bactéria a dividir-se, 1, 2, 4, 8, 16, 32, 64... de repente aparece uma bactéria diferente.
01- Isto é o que acontece nas populações de bactérias: Às vezes aparecem, como se fosse por erro, bactérias que são diferentes. Em principio isso não faz mal, mas... o que acontece se essa bactéria diferente é resistente ao antibiótico?
A animação FLASH mostra a destruição de todas as bactérias menos as que são diferentes que, em vez de morrerem, se multiplicam.
01- Agora todas as bactérias são resistentes, porque aquilo que era diferente nas bactérias servia para se defenderem dos antibióticos.
01a- Mas 01, eu ainda não percebo porque é que de repente aparece uma bactéria que é diferente.
01- Mas é muito fácil: quando uma bactéria se divide, a informação genética é copiada para as filhas e, claro, às vezes a informação é mal copiada.
01a- Então estás a dizer-me que uma cópia mal feita pode originar alterações na bactéria?
01- Efectiviwonder, agora a bactéria tem um novo componente com o qual se pode defender do antibiótico. Mas... para entendermos melhor, vamos jogar ao TELEFONE AVARIADO!
O jogo consiste em dizer uma frase ao primeiro menino da fila.Aproveita-se que os auditorios têm, pelo menos, um corredor central, para fazer dois grupos.A frase poderá ser, por exemplo, “O mau amigo deixa a palha e leva o trigo”.Os rapazes terão que fazer duas coisas, primeiro dizer ao ouvido do colega do lado a frase e depois escrever a frase na parte de trás do programa, que terá um espaço em branco.
A frase do final vai ser diferente da inicial. E a frase final do primeiro grupo distinta da frase final do segundo grupo. 01 e 01a recolherão as duas frases que poderão ser, por exemplo:
Grupo 1: “O mal amigo pesca em paz no dique de abrigo”
Grupo 2: “O mal abrigo deixa em paz e leva a Vigo”.
01- Muito bem pequenos saquinhos de fluidos. Agora temos que todas as bactérias do grupo 1 vão ter a palavra amigo na sua informação genética, e o grupo 2 em vez de amigo uma palavra nova “Vigo”.
01a – Mas isso é o mesmo, não é?
01 - POIS NÃO! Imagina que te digo que o antibiótico se une à palavra amigo
Aqui mostraríamos uma foto de uma molécula e com a animação flash mostraríamos como entraria o antibiótico
01 – é que é assim como mata a célula. Alguém me pode dizer que passaria se existe una modificação, por exemplo…
Aqui mostraríamos uma foto da mesma molécula com uma modificação e o antibiótico não pode entrar
01 – …que não deixasse unir o antibiótico, por exemplo tu, a ver tu, ou aquele outro.
01a - Pois claro, todas as bactérias que levem amigo na sua informação genética morrerão, ao contrário das que levem Vigo, essas vão ser as bactérias resistentes. Assim que já sabem, o grupo 1 se fossem bactérias estariam todos mortos.
01- É muito complicado isto, mas para algumas pessoas os antibióticos são como as aspirinas.
FARSA DA VIZINHA
Nesta farsa os dois actores, agora um vizinho e uma vizinha, mediante a troca de vestuário, mostram dois casos de mal uso dos antibióticos.
- A actriz aparece vestida com avental de casa e pantufas
- O actor aparece vestido de adolescente.
01- Está entendido? De certeza? Ai, não sei...
01a - Buff! Eu não me fio nada, olha para aquele com que cara de banana ficou. Será melhor que ilustremos esta explicação.
01- Sim, será melhor, e para isso necessitamos seis voluntários, seis, que vamos buscar agora mesmo.
Procuram os voluntários e levam-nos ao palco. JOGO
01a- Agora vocês todos, pequenas E. Coli, vão ser submetidas ao poder dos antibióticos no corpo de uma criança, o médico acaba de receitar-lhe um antibiótico que o pequeno deve tomar durante CINCO dias, um comprimido cada oito horas.
01- E daí vem a acção do primeiro comprimido (caem bombas) E a primeira bactéria começa a sentir-se mal...e morre, bem! Já temos uma!
01a- Com a seguinte toma de antibiótico, morre a segunda E. Coli, depois de esse par de tombos.
01- Três dias depois o medicamento consegue acabar com as duas seguintes, mas...que passa?
01a- Por que não cai mais medicamento!?
01- Há um problema com o fornecimento do antibiótico, o rapaz deixou de tomá-lo!
01a- E por que acham que parou? Porque pensou que já não estava doente, já não se sentia mal, e claro assim guardava mais antibiótico para outra vez que se sentisse mal...
01- E ainda por cima vejam a última bactéria! Agora recolhe toda a resistência que tinham as outras.
01a- Mas vejamos o que ocorre um ano depois. A bactéria torna a fazer das suas e vejam o que acontece quando provamos com o antibiótico anterior.
- Resiste a todos os antibióticos
Acaba o JOGO
01- Está bem, suponho que agora já perceberam a transmissão horizontal.
01a- Sim, quem o diria. E o que passa quando uma bactéria se torna totalmente resistente? Não há quem a pare? O corpo humano tem sempre defesas, como os linfócitos que comem as bactérias que entram no corpo.
PROJECÇÃO VÍDEO MACRÓFAGO
01- O que passa é que os idosos, meninos muito pequenos ou doentes que estão nos hospitais, têm poucas defesas. E se esta gente apanha uma bactéria resistente aos antibióticos morrerá de certeza.
01a- Bem, também existem as bactérias que não se deixam comer. Por exemplo a bactéria Streptococcus pneumoniae.
01- Esta bactéria está coberta por algo escorregadio, por isso quando o macrófago a quer comer, a bactéria escorrega-lhe como se fosse um sabonete.
PROJECÇÃO STREP PHAGOCYTOSIS
01- Se esta bactéria nos infecta estamos tramados, a única solução são os antibióticos. E se estes não funcionan, a bacteria ganhará e nós, morreremos.
01a- Há pessoas que trabalham nisto. Gente que não são agentes especiais, são pessoas como tu ou como eu, gente de Porriño, Carballo ou Chantada, graças à sua curiosidade, dedicaram-se a investigar as bactérias superresistentes. Vou ensinar-vos.
VÍDEO CORUÑA
01- Então, querida ZeroUma, só nos resta uma coisa por fazer, disseram-nos na Xunta que os meninos percebem melhor as coisas com música...(Mudam de pose, tornam-se rappers)
01a- Sim, com musiquinhas ridículas com martelos irritantes
01- Fazendo-nos cantar sem que faça sentido
01a- Cantar não sei mas algo parecido.
É fácil de entender
A resposta deve ser
Não, não, não há
Não, não, não há
Não, não, não há
Não, não, não há
Não há nada que temer
Quando aumentan as bactérias
Não há que fazer
Tomar só meia receita
Imagina, não o faças
Aí tens a Superbactéria
Não, não, não há
Não, não, não há
Não, não, não há
Não, não, não há
Para que hei-de tomar mais
Se já estou mais que curado
Se já não me encontro mal
Por que hei-de terminá-lo?
Vê lá rapaz, não me irrites
Senão queres morrer tu e mais gente,
Faz-me um favor sê prudente
Termina sempre o que comeces
Não, não, não há
Não, não, não há
Não, não, não há
Não, não, não há
Mas a mim que mais me dá
Que resista uma bactéria
Antibiótico haverá
Que me cure da desfeita
Talvez sim
que consigas salvar-te
talvez não
tenhas que lamentar-te
Mas sei
que talvez cedo ou tarde
A bactéria poderia matar-te
Não há que temer
Quando aumentam as bactérias
Não há nada que fazer
Tomar só meia receita
Imagina, não o faças
Aí tens a Superbactéria
(BIS)
Meninos, com isto terminamos esta peça. Não se esqueçam de levar o programa para casa e explicar aos vossos pais que façam caso dos médicos, que tomem os antibióticos só quando o médico os receite e que os tomem nos dias que faz falta. |